Leon não tinha mais vontade de se preocupar nem consigo própria. Desapontada com a vida. Deprimida. Queria apenas submergir. Fugir daquele para um outro plano. As drogas faziam isso. Faziam, mas a fada madrinha não permitia que o psicoafastamento fosse duradouro. Ela levava ao baile, mas você tinha que voltar sempre antes da meia-noite. Voltar. Voltar para a realidade. Para a vida dura. "Vida dura, que não aceita falha", como dizia aquela música. Voltar sem sapatinho de cristal perdido. Sem príncipe, ou princesa, atrás do pezinho encantado. Sem magia. Sem alegria. Só a garganta seca e o corpo conspirando. O corpo e a cabeça pedindo. Pedindo para voltar ao baile da Cinderela. Fada madrinha maldita. Vara de condão penetrante, que chegava à veia, derramando o feitiço perverso. Contos de fadas espalhando-se pelas veias. Final infeliz. Dor. Sonho. Torpor."
André Vianco

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